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JORNALISMO E PODER

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P.S. Ontem, ao minuto 18 do seu Jornal da Tarde, a RTP abria com a seguinte frase a sua peça sobre o nosso trabalho: “A nova ofensiva do jornal PÚBLICO apresenta-se como uma investigação jornalística a partir de declarações de um antigo presidente da Câmara da Guarda…” Não foi solicitado a qualquer membro da direcção do PÚBLICO que se pronunciasse sobre esta acusação. Será este o bom jornalismo que Sócrates defende?

FONTE: Público

É com este Post Scriptum que a Direcção Editorial do PÚBLICO termina o editorial de sábado passado (2-2-2008). O editorial intitulado “Jornalismo e Politica, Ética e Lei” refere-se a um trabalho jornalístico que o Público desenvolveu junto de José Sócrates a respeito de declarações do ex-autarca da Guarda Abílio Curto, em que este colocava em causa a autoria dos projectos assinados por José Sócrates.

Quando, em Outubro do ano passado, o jornalista do PÚBLICO enviou ao gabinete do primeiro-ministro um conjunto de oito perguntas sobre o seu trabalho como engenheiro técnico, José Sócrates fez chegar, por mail, ao director do jornal uma mensagem que começava da seguinte forma: “Insiste o jornal que V. Exa. dirige em vasculhar o meu passado em constantes e desesperadas tentativas para descobrir qualquer coisa, mínima que seja, que permita atacar-me pessoal e politicamente. É uma forma de estar na política – mais do que uma forma de estar no jornalismo – que já não passa despercebida a ninguém”.
[…]
Ora acontece que, mesmo que o primeiro- -ministro o repita muitas vezes, o PÚBLICO não está na política: está no jornalismo. E saber se o titular máximo do poder executivo pautou a sua carreira pessoal e profissional por critérios éticos rigorosos faz parte dos deveres de qualquer jornal numa democracia liberal. O PÚBLICO não decidiu perseguir o primeiro-ministro: decidiu verificar se era ou não verdade aquilo que Abílio Curto, antigo autarca socialista da Câmara da Guarda, dissera numa entrevista à Rádio Altitude, isto é, se José Sócrates, durante a década de 80, enviava muitos processos para essa autarquia, sendo que, e citamos, “nem todos os projectos seriam da autoria dele”.
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O entendimento que o PÚBLICO tem dos seus deveres jornalísticos é o mesmo que tem sido repetidamente adoptado em sentenças do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem: o controlo público das figuras públicas é central na vida política em liberdade. De resto foi também esse o entendimento do nosso Ministério Público quando decidiu arquivar a queixa que o primeiro-ministro fez contra o autor do blogue “Do Portugal Profundo” a propósito do que este publicara sobre as condições em que José Sócrates completou a sua licenciatura.
[…]
Da mesma forma que um jornalismo incómodo para o poder não faz dos jornalistas políticos, nem tudo o que a lei não criminaliza é ético. Ora, numa democracia e em liberdade, os cidadãos, e os jornalistas, têm o direito de questionar os comportamentos éticos, não apenas de saber se esses comportamentos caem ou não sob alçada da lei. Tal como não estamos na política, também não fazemos parte da máquina judicial. […]

FONTE: Público (excertos do editorial, clique para ler na integra)

Esta questão leva-nos de volta para a intromissão do poder politico no jornalismo, para a isenção e para o rigor das palavras e das informações prestadas ao público.

Deixo aqui algumas questões para reflexão e debate:

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