A CONVERSA começou com um post de Amy Gahran, a que Mindy McAdams respondeu. Amy voltou à carga e concretizou as suas ideias sobre o ensino do jornalismo no século XXI. Vale a pena ler todos os posts e os comentários de cada um deles…
O QUE DEVEM ENSINAR AS ESCOLAS DE JORNALISMO?
15 Abril - 2008 por João Simão
Publicado em DEBATE, JORNALISMO, OBSERVADOR | 6 Comentários
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Hoje em dia, com o desenvolvimento cada vez mais acentuado da tecnologia, as escolas de jornalismo ficam sem meios para acompanhar o desenvolvimento dessa dita tecnologia. Se me perguntarem o que devem ensinar as escolas de jornalismo, eu diria, tudo. Efectivamente, os jornalistas de hoje têm que saber um pouco de tudo porque o mundo está a ser bombardeado por acontecimentos de diversos niveis, culturas, religiões, economias, politicas. Nada passa ao lado de um jornalista, por isso a dificuldade em ensinar os futuros profissionais ser uma constante dor de cabeça quer para quem ensina quer para quem aprende.
1. Provocar nos alunos o gosto/hábito de leitura. O jornalista para saber escrever e falar tem de ter uma base que lhe proporcione maior saber cultural e linguístico.
2. Oferecer uma base de conhecimento teórico nos mais variados domínios: cultural, político, económico, científico, histórico, organizacional, desportivo, etc.
3. Cultivar valores éticos e morais, identificando práticas jornalísticas “incorrectas” ou “aceitáveis”.
4. Abrir espaço para o debate de ideias. Identificação da alteridade e princípio do contraditório.
5. Incentivar o uso de tecnologias e instrumentos essenciais para a prática da profissão. Os novo media exigem muito mais do que papel e caneta.
6. Proporcionar aulas abertas, com testemunhos e dicas de profissionais.
7. Inserir o aluno no meio, através da prática no mundo real, colocando em prática os conhecimentos adquiridos em fases anteriores.
8. Cultivar a paixão pelo trabalho.
Bem esta pergunta é mesmo pertinente…
falando por experiência própria, devemos começar por ter profissionais da nossa área a leccionar, não docentes de outros cursos que pouco ou nada percebem daquilo que devem ensinar, este será um ponto importante e essencial, porque a partit do momento que temos pessoas com experiência no mercado de trabalho será muito mais fácil “despejar” a matéria (em relação a isso um bem haja ao Prof. Simão pelo dinamismo que trouxe para o nosso curso)… Não basta termos os conhecimentos teóricos, é necessário que tenhamos prática, é necessário que os conhecimentos que vamos adquirindo sejam postos em prática, o mercado de trabalho não está fácil… depois, subscrevo aquilo que o Tiago disse, sublinhando que, (principalmente) na nossa área, é ESSENCIAL que as pessoas saibam escrever e falar não bem, mas sim muito bem, isso aliado a uma boa bagagem cultural fará de nós muito melhores profissionais…
Apesar de me interessar mais pela área das Relações públicas, acredito que para jornalistas em formação seja importante um contacto permanente com a vida profissional, conhecimentos teóricos que se adequem à prática desta profissão,uma grande bagagem cultural quer tecnológica, assente das novas formas de comunicação, quer a nível geral.
Acredito e concordo com a Andreia ao dizer que muitas vezes os professores do curso de Jornalismo são professores de literaturas ou linguísticas que muitas vezes nos ensinam matérias que só nos servem para escrevermos nos exames e assim tirar boa nota, nada nos servem para a visa futura.
E claro, todas as dicas que o Tiago deu estou 100% de acordo.
Boa sorte e parabéns aos meus colegas de curso jornalistas.
Ora aqui está um bom post que serve de guia à melhor forma de se ensinar e incentivar a prática do jornalismo. Comparando com o que se faz na nossa universidade considero que esta peca por incentivar pouco os alunos a terem uma “bagagem cultural” (aproveito para pegar na expressão utilizada pelos meus colegas), valorizando mais o sacrificio que os alunos fazem para elaborarem peças mainstream, esquecendo a criatividade no adornar dos trabalhos/peças jornalisticas.
Em primeiro lugar deviam ensinar que o facto de se ser jornalista não é o caminho para a fama, aparecer em revistas e apresentar o telejornal, que penso que é a razão porque grande parte das pessoas se inscrevem neste curso.
Depois, devem ensinar que ser jornalista é trabalhar 12 horas por dia, comer mal, nunca ver os filhos, ter problemas no casamento porque nunca se chega cedo a casa, ganhar uma miséria e no fim aturar tudo com um sorriso nos lábios porque se faz o que se gosta.
Depois do mais importante, devem-se fazer cursos de jornalismo a sério. O que quero dizer é que não basta decidir que se vai ter um curso de CC na universidade e depois passar 5 anos a construí-lo. É preciso, primeiro que tudo, adequar as instalações para que se possa leccionar com todas as condições, coisa que não aconteceu na UTAD. Fazer estúdios de TV, Rádio, Imprensa escrita e Digital. Ensinar novas tecnologias e darem espaço aos alunos para participarem em actividades extra-curriculares. Obviamente que também é preciso ensinar aos alunos que participar nessas actividades pode ser mais enriquecedor do que passar a tarde a coça-los. Se disserem que essas actividades são chatas, temo dizer que estão no curso errado.
Concordo quando dizem que fazem falta professores da área de comunicação. É um facto. Também é um facto que poucas pessoas da área têm vocação para leccionar. Até pode ser o jornalista com mais Pulitzers do mundo e ser mais reconhecido do que o Cristiano Ronaldo. Se não souber leccionar ou não tiver prazer nisso os alunos são capazes de aprender mais com o Zé Tone da Gazeta de Cascos de Rolha que, apesar de tudo, gosta de ser jornalista e quer que os seus alunos também gostem da profissão.
E acho que é o mais importante na minha opinião, que sinceramente não vale nada
“fica o apelo”