Prof. José Esteves Rei
A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro realiza hoje as suas Primeiras Jornadas de reflexão Pensar a comunicação aqui e agora. Quatro anos após o início do Curso de Ciências da Comunicação, este é o momento de proporcionar aos alunos, aos professores e à comunidade envolvente uma oportunidade de abrir as suas portas à sociedade civil.
Nunca foi tão importante como agora, essa atitude de abertura à sociedade por parte das universidades. Com efeito, a vida acontece hoje a uma tal velocidade e o saber é tão precário que o conhecimento produzido e veiculado nas universidades corre o risco de se ver ultrapassado pelas necessidades sociais que a ele apelam.
Esta foi uma das razões da chamada à UTAD de agentes sociais do campo das Ciências da Comunicação, nomeadamente do jornalismo: nacional, regional e local, emitido pelos três canais – imprensa, rádio e televisão.
Pretendem os organizadores dessas Primeiras Jornadas da UTAD proporcionar a divulgação de outros olhares sobre a comunicação, concretamente, os daqueles que a vivem a um ritmo estonteante, os jornalistas, como Carlos Daniel, jornalista da RTP, e Nassalete Miranda, Directora de O Primeiro de Janeiro. Divulgar os olhares sobre a comunicação daqueles que a gerem e administram, como Filipe Luís e Miguel Viana, respectivamente, directores da revista Visão e da Lusa. Mas desejaram, ainda, ouvir e dar voz ao Provedor do Ouvinte da Rádio Pública, José Nuno Martins, cuja tarefa, tão recente entre nós, não pode deixar de revestir hoje uma importância fundamental na vivência da cidadania: a participação do público na rádio que passa.
A nível regional e local, estas Jornadas são, por um lado, o momento de encontro dos alunos e professores com aqueles que fazem a imprensa, a rádio e a televisão a partir da região. Por outro, correspondem à oportunidade de os profissionais desses órgãos de comunicação verbalizarem o seu quotidiano a estudantes de comunicação e de reflectirem sobre o mesmo. São uma paragem, para poderem, entre si, caracterizar a sua identidade e a identidade da sua região.
A Mesa Redonda que terá lugar durante a tarde conta com a participação de Paulo Cardoso, do Director do Lamego Hoje, e de Calado Rodrigues, Director do Mensageiro de Bragança, no que à imprensa diz respeito. Do lado da rádio, estará presente Luís Mendonça, da Rádio Universidade; e, do lado da televisão, Alves Mateus da RTP- TAD.
Na organização, tiveram um papel de relevo a Coordenação do Departamento de Letras, a Coordenação do Curso de Licenciatura em Ciências da Comunicação e a Direcção do Curso de Mestrado correspondente, assim como o Núcleo de Estudantes de Ciências da Comunicação, presidido por Carlos Almeida. Este trabalho, precioso e imprescindível, é, para os estudantes, uma escola paralela de preparação para a vida, pelo que representam de planificação e organização de eventos, de contactos e de gestão de tempo, dinheiro e agendas, pessoais e de outras pessoas.
Em ano de celebração de Miguel Torga e em Jornadas de comunicação no âmbito do Departamento de Letras, andou bem a Organização ao publicitar, no seu desdobrável, uma passagem do Diário XVI de Miguel, escrita no dia 8 de Julho de 1992, ao receber o Prémio Figura do Ano, dos correspondentes da imprensa estrangeira em Portugal. Aí o autor considera-se, também ele, um homem da comunicação ou, como afirma, o repórter inquieto dum quotidiano sem fronteiras:
“Sou, afinal, como vós e à minha medida, o repórter inquieto dum quotidiano sem fronteiras. Nenhum acontecimento significativo sucedido ao longo de quase um século me deixou indiferente e sem um comentário alertador. Fui uma espécie de homem da telegrafia no barco acossado pelas ondas enfurecidas da realidade coetânea a lançar SOSs de aflição.
De mim, ireis naturalmente repetir o que consta, como pareço e me declaro. Acrescentai, por favor, que lutei, luto e lutarei até ao derradeiro alento pela preservação dessa identidade, última razão de ser de qualquer indivíduo ou colectividade […]. E que me orgulho de no passado, sem compromisso de nenhuma ordem, e às claras, ter pensado sempre em termos de livre comunhão e desinteressada fraternidade o mundo redondo que proficientemente representais.»
Trata-se de um texto como que, por encomenda, elaborado para este dia e esta hora.






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No meu entender é fundamental a organização deste tipo de eventos para sobretudo, desenvolver o conhecimento de cada estudante que visa no futuro uma carreira na area do jornalismo. É a observar e escutar um jornalista que já apresenta um grande background que aumenta ou diminui a nossa vontade de ser ou não um jornalista a sério.