O tema mais quente na área do jornalismo e dos blogs nos últimos dias tem sido a campanha publicitária do Estadão. Já muito foi dito e feito incluindo micro-causas. Agora via André Deak chega-nos a resposta da Talent a agência responsável pela campanha.
Segundo João Livi a campanha decidiu dar um tom de humor quer aos filmes e à publicidade impresa. Nas palavras do director criativo a intenção foi:
Separar o joio do trigo na internet deveria ser do interesse de qualquer cidadão de bem.
No entanto ficou surpreso porque a reacção esperada era a oposta:
É impressionante, mas a reação que esperávamos dos blogueiros é exatamente contrária ao que aconteceu.
Ora a campanha queria dividir a Web em duas partes distintas, uma positiva e outra negativa. E colocar o Estadão e o Grupo Estado na lado positivo da Web.
Vamos acreditar que tal é a mais pura das verdades, apesar de algumas das justificações apresentadas me parecerem manifestamente fracas. Estamos perante uma má campanha publicitária porque não só não conseguiu passar a sua mensagem como colocou o Estadão no lado negativo da Web por se afirmar contra os blogues. Segundo apesar de tudo a polémica foi lançada e levantou a velha duvida o que mostra que a relação ainda não está assim tão bem consolidada. O tema merece desenvolvimentos….
AGORA QUE VOCÊ JÁ LEU A VERSÃO DO GENERAL CUSTER, LEIA A DOS ÍNDIOS
Nos ultimos dias, vimos reverberar na blogosfera ataques e defesas à nova campanha do Estadão, feita pela Talent. Tudo começou nos blogs de publicidade e nos pegou totalmente de surpresa, principalmente por que o subtexto que foi espalhado por aí, de que o Estadão é contra os Blogs, não foi colocado em nenhuma das peças da campanha. Isso seria extremamente incoerente, já que o Estadão sabe que os blogs não só fazem parte da sociedade como do próprio Grupo Estado. Sendo assim, vamos analisar a questão mais de perto pra saber se houve alguma falha na comunicação da campanha.
Os filmes começam com uma vinheta , World Wierd Web, que já identificam o propósito de fazer humor com a parte estranha, sem noção, da web. No filme em que o rapaz lê o blog de economia do Bruno, o cientista diz que o macaquinho já está copiando e colando textos pela web. É impressionante, mas a reação que esperávamos dos blogueiros é exatamente contrária ao que aconteceu. Quantas vezes, você blogueiro já não encontrou seu texto por aí, fora de contexto, faltando partes e sem os créditos? No outro filme da campanha, dois ruivos colocam informações mentirosas na internet pra sair ganhando alguma coisa. As meninas que são enganadas pelo hoax nunca falam que encontraram essas informações num blog e, do outro lado, um dos ruivos diz apenas “pronto, tá na net”. Nesse caso, nada de blogs. Na mídia impressa acontece algo parecido, apenas um do três anúncios diz abertamente “Blog”, os outros dois usam os termos “página” e “site”.
Desta forma , nós posicionamos o estadao.com em linha com a proposta de credibilidade, conteúdo de qualidade e compromisso do Grupo Estado. Os sites, blogs, veículos e pessoas que frequentam o lado “luz” da internet , obviamente, não devem se sentir atingidos por uma crítica ao lado “escuro” do ambiente virtual, da mesma forma que um bom jogador de futebol não deve se sentir desvalorizado por ter um colega perna-de-pau ou quebrador de joelhos. Ou será que os publicitários que primeiro criticaram nosso trabalho consideraram uma campanha difamatória aos publicitários o fato de um dono de agência ganhar as manchetes por servir de intermediário na distribuição de fortunas em verbas públicas?
Alguém em sã consciência pode defender incondicionalmente todo o conteúdo da internet , com seus hoaxes , pegadinhas, pornografias, ideologias escondidas, baixarias, falsos gurus, falsários, tomadores de dinheiro e tempo, Maranhão do Sul na wikipedia, alterações da história e interesses privados disfarçados de clamor do internauta?
No seminário da Microsoft este ano, em Cannes, os dados apresentados levaram a uma inconteste conclusão: a de que a internet, como as regiões de uma cidade, vai se dividir em duas. Uma útil, crível, inteligente, prestadora de serviço, informativa e confiável. Outra que é como uma rua escura e sem policiamento: vai quem quer, sob seu próprio risco. Vamos sempre promover o estadão.com como parte da primeira metade.
Separar o joio do trigo na internet deveria ser do interesse de qualquer cidadão de bem.
João Livi
Diretor de Criação- Talent






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No caso apresentado parece-me haver um grave erro de comunicação entre o anunciante e agência. A campanha está pobre e mal concebida sendo natural que a blogosfera não a tenha apreciado. Mas claro que todos fogem à responsabilidade de uma campanha menos eficaz.
terá de se esforçar mais um pouco para me convencer!